quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Aparentemente Insossa

As calçadas provavelmente são os lugares mais públicos que existam, você sempre passará por uma para onde quer que queira ir. È um lugar de aceitação, onde o hippie, o bancário, o policial, o bandido, todos se encontrarão. Mesmo quando não se quer cruzar com essas pessoas, se atravessa a rua, e as encontra na outra calçada.
Ninguém sabe quando vai morrer, quando terá de ir ao hospital, mas no meio de tudo isso sabe que terá uma calçada. Uma calçada é tão importante, tão representativa, que em Hollywood as celebridades possuem seus nomes nelas. E em Los Angeles mesmo existe uma outra em frente ao teatro Chinês que se deixam marcadas as mãos e pés. Até mesmo o Brasil já tem a sua calçada da fama em Gramado no Rio Grande do Sul.
Hoje seu nome na calçada é sinal de status, somente não para os auto-famosos que escrevem seus respectivos nomes no cimento fresco. Estes seriam famosos sim, os famosos pobres de espírito.
Calçadas expressam a cultura de uma época através de suas formas. Elas podem ser de um simples cimento, de refinadas pedras, de diversas cores, de caretas lajotas, de ousados azulejos. Lisboa produziu uma legítima e intensa exploração em nosso país, porém não negou um intercâmbio de troca de cultura, troca de artes. E uma dessas artes se manifestou na decoração feita nas calçadas, na construção de verdadeiros mosaicos nessas vias públicas. Embelezando-as, e dando asas para a imaginação dos criadores das inúmeras figuras representadas nelas.
Os porcos imundos que as sujam com as fezes de seus animais e de suas cabeças, com as chêpas de seus cigarros, com papéis de balas, deveriam ser presos. Pois isto é cuspir em seu chão, e isso é cuspir na própria face. Moribundos de espíritos, estes deveriam praticar serviços sociais e construir mais calçadas.
O fato é que não se pode destruir a estética genuína de algo que vale mais que a vida dos criminosos que as sujam, que as impregnam com sua robusta ignorância.
Atualmente foi-se o tempo que ao final da tarde as pessoas sentavam em frente de suas casas para admirar os movimento e rever amigos. Tempos que se via o desfile da moda em calçadas e não em passarelas, tempo em que se viam os carros do ano nas ruas na frente de casa e não em feiras. E assim se viam as modernidades e por fim, o passar do tempo.
As calçadas perderam o seu charme, mas não por isso sua importância. Nós transitamos nelas, e consequentemente não fazemos apenas isso. No decorrer do percurso transitamos também nos complexos caminhos de nossa mente, tiramos conclusões para feitos que iremos realizar durante o dia, durante a semana, o mês, o ano, ou talvez durante o resto da vida. Praticamos atividades físicas, um tradicional cooper por exemplo, namoramos e até almoçamos nas mesas dos restaurantes que invadem as calçadas.
Neste mundo contemporâneo as calçadas adquiriam nova roupagem, hoje possuem na sua extensão guichês para comprar o cartão de estacionamento do carro, sinaleiras para os pedestres atravessarem a rua, placas de orientação, telefones públicos, lixeiras e adaptações para deficientes.
Volta e interrompidas por uma escadaria, calçadas continuam seu percurso até desembocar em outra, e em outra, e em outra.
Pulsando como veias e artérias, transportando pessoas com suas manias e intolerâncias, que podemos julgar como vírus sem anticorpos, as calçadas alimentam residências, lojas entre, nos levando para viver o cotidiano.


Por Tiago Fontanella.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

A Igreja de hoje, com a idéia de ontem

Faz pouco mais de dois anos que Bento XVI foi eleito pelos cardeais o novo papa. Desde então o não tão carismático novo papa vem alterando as diretrizes do Vaticano. Antes de tudo gostaria de salientar que não sou ateu ou agnóstico, sou mais um cristão católico perplexo com dogmas e supostas heresias julgadas pelo Vaticano. Logo saliento também que no transcorrer desta escrita livro-me de qualquer tipo de crença própria, para tratar do assunto de maneira mais imparcial possível.
A Vossa Santidade neste período reafirmou alguns conceitos atuais, e reemergiu conceitos passados antes rejeitados pelo papa antecessor. Muito questionado o homem teoricamente mais próximo de Deus se aproxima de um conservadorismo muito constrangedor para a igreja, seus seguidores e os devotos de outras religiões. Recentemente o papa foi acusado de anti-semitismo após ser recebido por um padre dono de uma rádio na Polônia que se identifica com opiniões contrárias aos judeus. O fato chocou a comunidade judaica, que considera um retrocesso à atitude. Além disso a Santa Sé demonstra mudanças em sua política, as missas voltaram a serem regidas em latim, e nelas foi restituída uma oração que pede a conversão dos judeus para o catolicismo.
O conjunto de gafes de etiqueta de Bento XVI não param por aí, enlameando ainda mais os pés declarou aqui em terras tupiniquins que a catequetização dos indígenas era necessária. Logicamente se justificou depois dizendo que a maneira que a colonização foi realizada é inadmissível, porém seu verdadeiro pensar foi exposto na sua primeira declaração.
A castidade tão exaltada pelas leis da igreja, e amplamente defendida pelos bispos, não existe. É triste ver que justo eles que pregam a passividade entre o homem e a natureza, ao mesmo tempo renegam-o-a. Porque negar os impulsos sexuais é negar a natureza, é negar algo que já nasce com o indivíduo. Fazendo isso a igreja comete uma das mais vorazes atrocidades, abrindo portas e pernas para abusos sexuais. Dados indicam que 80% dos abusos são homossexuais, tendo como vítimas crianças e adolescentes. Aqueles que pregam a castidade, são os que iniciam crianças inocentes na vida sexual. Muito contraditório isso, porém estes casos borbulham pelo mundo. E a única atitude tomada pelo Vaticano é pagar indenizações, como se estivessem pagando por um infame programinha para os padres.
Uma solução para isso talvez seja a abolição do celibato, assim os sacerdotes extravasariam seu “acúmulo de amor” com suas respectivas esposas. Coisa que parece ser impossível, pois acredito que a igreja teria que sustentar a família e dividir o tempo do padre com a mulher e filhos. Seriam ciúmes?
Outra atrofia evolutiva da Santa Sé é combater o uso da camisinha, o que é aterrorizante, tendo em vista que a população mundial aumenta constantemente, e as doenças sexuais também. Seria isso uma maneira de preservar a castidade?
Porém mesmo assim a igreja não consegue coibir o coito mundial. Desta maneira a África extrapola os indicies de AIDS, a gravidez indesejada se mantém, as doenças sexuais prosperam, e eu dou graças à Deus que não vou mais a igreja. Obrigado senhor!
O Vaticano comanda a segunda maior religião do mundo, e a maior cristã. Julgando-se a irmã mais velha das outras religiões cristãs declarou: “- A única religião de Jesus Cristo é a católica apostólica romana!”. E agora José?
O autoritarismo e elevado estado de ego do Vaticano sempre existiram, e no atual papado estão mais expostos. O que assusta tendo em vista o passado vaticanista.
Bento XVI também falou que a igreja não opina sobre política, mas é muito sábia nesse ramo. Sabemos que Bento XVI não é um amor comparado com João Paulo II. E agora sabemos ainda mais, que em uma coisa ele é melhor, ele é muito mais rentável para a Santa Sé. Mesmo com todos os escândalos o superávit mais que dobrou na Santa Sé S.A., as contribuições aumentaram 58 %, a editora do Vaticano lucra bastante com os direitos autorais do livro best-seller do papa atual, e os direitos sobre obras religiosas que envolvem Cristo, algo que antes não era cobrado.
O atual homem forte vaticanista é aquele típico ancião onde a experiência não condiz com o racional, julgo eu ser uma mente retrógrada, onde a ignorância prevalece sobre a razão. Hoje não seria apenas necessária uma reforma política no Vaticano, mas uma revolução ideológica nas cabeças fundidas, trancafiadas e lacradas dos sacerdotes da hierarquia vaticanista.

Por Tiago Fontanella






domingo, 5 de agosto de 2007

Sobre os encantos da menina amada


Ao lado do trapiche,
ela repousa sobre os áureos raios do sol.
Sentindo o brando vento,
observando-a aumenta meu alento.

Se a intensidade de minhas lágrimas
fosse um medidor de lascívia,
eu seria o maior viciado vivo.
E o meu vício é ela.

O seu corpo desnudo que toco,
Torna meu desejo de viver mais nítido.
Minha libido por ela é a ambrosia
que os deuses me ofertaram.

Na esperança de que nunca morreremos,
eu a louvo com o olhar perdido em seus olhos.
Sempre vindo ao trapiche, ela me fisgou.
Como uma sereia me enfeitiçou.
Para sempre minha luxúria ela ressuscitou.


Por Tiago Fontanella

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Papo massa!



Que bom seria se tudo na vida fosse massa. A humanidade se encheria, engordaria, explodiria de tanta alegria. Mas, espera aí. É, você mesmo, não olhe para os lados e não disfarce. Pois, você pode não perceber, mas, assim como muitos outros, pode estar levando uma vida massa. É massa no café da manha, massa no almoço, massa no jantar...

Massa vai e massa vem, vamos tentar falar mais sério. Afinal, quem não gosta de uma boa pizza. Eu adoro. Mas, detesto quando roubalheiras, corrupções, etc. acabam em pizza. Analisando mais a fundo esses assuntos, que nos revoltam, cairemos num abismo filosófico para entender, desde os primórdios, esta epopéia terrestre. É bródis, eu digo desde os primeiros homo-sapiens, desde a primeira civilização, pois, foi aí que começou esta grande palhaçada. Olhe os dias de hoje. Sinta na pele nossa gloriosa evolução. Ou vai dizer que você nunca se excitou vendo uma revista de mulher pelada? Ou sequer deu uma risada quando seu colega soltou um “pum”, ao se arriscar num golpe de karatê? Mas, neste circo social, não colhemos só risos e gargalhadas, há também situações lamentáveis, como grandes guerras, criminalidade, miséria... Bom, estávamos tentando falar sério e acabamos descobrindo que fazemos parte de uma grande palhaçada. Então, sejam todos bem vindos a este circo e sorria você não está sendo filmado, mas gozado. Haja nariz de palhaço pra todo mundo.

Vamos ficando por aqui, porque hoje a noite promete ser massa. Alias muita massa. Pizzaria com os amigos, cerveja, alguns cigarros, e um papo massa, é claro! Podi crê, podi crê!

Por Agleisson Gonçalves de Freitas

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Heróis não por acaso


Felizes são aqueles que acordam, tomam seu café e preparam-se para sair. Primeiro vestem seus agasalhos da marca patrocinadora, depois o tênis que usarão no trajeto até o complexo esportivo, e finalizando carregam a mochila com seus equipamentos. Chegando ao complexo cumprimentam os seguranças, no caminho até os vestiários saúdam as faxineiras e os demais empregados. Em seguida aprontam-se em seus vestiários com banheiras térmicas, armários, camas, ar condicionado e o que mais lhes forem preciso. Por fim, entram em seus respectivos terrenos de treinos, seja uma quadra, uma pista ou um salão, treinam por horas e terminam o seu dever. Olham-se com orgulho no espelho e dizem: “Eu sou um atleta!”
Realmente é algo bonito, porém é uma lástima que aqui no Brasil não seja assim também.

Atualmente vemos o espírito esportivo em evidência, todos torcendo pelo país como nunca se viu antes. Em um evento que põe em xeque toda a qualidade da organização nacional, obrigando os órgãos públicos a realizar tarefas que talvez nunca realizou; os corações batem como no beijo mais apaixonado e feliz de um doce casal.

E assim o Pan-americano mascara grande parte da realidade do atleta nacional, a dura, cruel e implacável realidade daquele que madruga todas as manhãs e mal toma café o da manhã e sai. Corre quilômetros e quilômetros nas estradas de barro do sertão, do cerrado ou dos campos, como feras indomáveis correm por seus anseios de vida. Procurando a glórias as medalhas e fazendo valer seu suor, estes atletas travam verdadeiras batalhas entre o provável destino de nem chegar a competir, e o destino que constroem como um castelo de cartas de baralho, o destino dos vitoriosos bem-aventurados.

Quer queiram ou não, este evento esportivo deixou cicatrizes na imagem do Brasil. Jamais esquecerei das deploráveis e profanas vaias em hinos americanos, em hinos cubanos e em suados triunfos de atletas de outras nacionalidades. Aquele esporte inventado pela platéia de judô também colaborou por isto, esporte que pessoalmente denominei de arremesso de bombas caseiras nos juízes. Evidentemente ninguém viu as bombas, apenas papéis e outras coisas mais, muito provavelmente, porque o público era revistado antes de entrar. Caso ao contrário...

Humor negro a parte, estas hediondas ocorrências serão esquecidas pelo mundo, pois isto já faz parte do comportamento brasileiro, um vexame a mais ou a menos é típico comportamento de subdesenvolvimento, de país de terceiro mundo. Mas quer saber? No fundo, isto soou como uma nota dissonante.

Mas o filé mignon ficou para nós, a emoção de ser o terceiro melhor das Américas é algo que não tem preço. O que fica para o afável sofrido povo das terras tupiniquins é a superação dos atletas, as lágrimas de heróis nacionais não por acaso, o brilho as medalhas de ouro, prata e bronze tão almejadas e não menos desejadas por nós meros torcedores.

Quem venha agora à copa de 2014, que o templo sagrado do futebol do alvinegro de Santa Catarina sedie algum jogo. Mas desta vez sem vaias, sem demérito. Afinal errar é humano, insistir no erro é burrice.

Viva os esportistas brasileiros. Que não possuem condições para treinar, não tem incentivo do governo, que vivem uma sociedade esmagada pela intolerância, que somente reconhece méritos após a subida em um pódio, e raramente lembra depois. Viva eles sem patrocínio, sem medo, sem preguiça, sem desânimos, e dotados de muita gana.

Honra ao Mérito!!!

Por Tiago Fontanella