domingo, 10 de agosto de 2008

És tu



Silêncio...Ela...
Sua voz inebriante cala,
permite escutar.
Ao vê-la, úmidos...
Estirar-me, exacerbar a vontade...

Alegra-me em saber...Irradia-me...
Um coração dilacerado,
uma esperança desperdiçada.
Uma Fênix.
Sacia-me a sede que
por ti nasceras.

Beleza que cega,
não ligo.
Ainda resta imaginar,
não cabes.
Desespero.
Sinto a leveza.

Alivia-me, conforta-me.
És tu, com teu toque.
És tu com teu tempo.
Comporta-me, disciplina-me.
Sentir navega a razão.
És tu.
Arte desfigurada,
palavras.
És tu.



Por Deividi Ricardo Pansera



sexta-feira, 4 de julho de 2008

A Liberalidade como virtude.





A partir do livro II de Ética a Nicômaco, Aristóteles enfatiza sua investigação sobre as virtudes. Dando continuidade ao tema principal que é a felicidade (eudaimonia), as virtudes são essenciais para atingi-la, tendo em vista que é caminho para alcançá-la.

Segundo Aristóteles, virtude é uma prática, não a temos por natureza e não haveria um ensino suficiente e eficaz para garantir a ação virtuosa. É a forma mais plena da ciência da moral e a prática da virtude é uma disposição de caráter. Virtude é um hábito, sendo construída pela continuidade da relação potência e ato. Quando nascemos, possuímos somente a potencialidade, e mais tarde realizamos o ato.

Definindo a virtude mais precisamente, ela é uma faculdade prática, não depende do conhecimento teórico, pois é construída pelo hábito mediante a potência. A virtude aristotélica é a mediania entre dois extremos, estes últimos chamados de “vícios”. Vícios estes que são o excesso e a deficiência de uma mediania. A virtude é algo difícil de ser atingido, pois citando Aristóteles: “É possível errar de muitas maneiras, ao passo que só é possível acertar de uma maneira...”.

Um importante exemplo de virtude é a “liberalidade”. Um homem que pratica a liberalidade é louvado, pois é capaz de dar e obter riquezas. Os vícios da liberalidade são a prodigalidade e a avareza. Pródigo é aquele que possui um único defeito, sendo este, o de esbanjar suas posses. O homem liberal é aquele que dá para as pessoas certas e não obtém riquezas das fontes erradas. E este se destaca por acima de tudo dar mais que receber. Pois é mais nobre fazer o bem, do que recebê-lo. Como o homem virtuoso busca o ato nobre, ele saberá o determinado momento e as determinadas condições para doar às pessoas certas. Não obstante, aquele que dá as pessoas erradas e sofre ao realizar as oferendas, não é liberal, e deve receber outro nome.

Aquele que exerce a atividade de ser liberal não busca dinheiro, nas fontes erradas por já possuir suas posses. Assim, busca a riqueza que doará nas suas posses. Este homem, que é liberal, tem a característica de ficar com muito pouco para si, pois é normal de sua parte não atentar-se para si.

Essa virtude é de certa forma medida perante as posses do homem, tendo em vista que alguém que dá coisas em menos quantidade é tão virtuoso quanto aquele que dá coisas em maior quantidade. Não é fácil para um homem liberal torna-se ou manter rico, pois está muito reclinado a dar seus bens, e não mantê-los para si.

Os vícios da liberalidade, no caso primeiro a prodigalidade é o excesso no dar e no não obter, e a avareza é a deficiência em relação ao dar e o excesso em obter. Porém, o homem que é pródigo é mais bem visto que o homem que é avarento. Afinal, suas características estão próximas de um homem liberal. Sobretudo o pródigo que adquire seus bens das fontes erradas é avaro.

Mas como o pródigo está mais perto da liberalidade que o avaro, ele tem cura. Já o avaro é incurável.

O ato de oferecer seus bens para uma pessoa necessitada é um ato voluntário quando a pessoa que doa, faz isso sem dor e arrependimento por si só. Não sofre interferências de outros na escolha, e escolhe porque tem a convicção de que é correto. E para realizar um ato involuntário um homem liberal deve agir por ignorância e arrepender-se depois. Um exemplo, talvez, poderia ser quando um homem liberal age achando que doou seus bens para uma pessoa necessitada, mas por ignorância não sabia que a pessoa era não era necessitada. E posteriormente arrepende-se.

A deliberação acontece nos meios e nunca nos fins, ocorre no que não é exato, portanto, é obscuro. Seu resultado é indeterminado.

Toda e qualquer ação se define a partir da escolha deliberada e esta envolve um princípio racional. Se toda escolha é uma desejo deliberado de coisas que estão ao nosso alcance, logo, as virtudes dependem do agente. Toda virtude e todos os vícios dependem da escolha deliberada que o homem faz.



Baseado no livro Ética a Nicômaco de Aristóteles



Por Tiago Fontanella



terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Educação Libertária










Diferente de qualquer outra entidade publica ou privada, a escola forma pessoas, futuros cidadãos que ocuparão um papel fundamental no processo de continuação ou transformação de uma sociedade. Ciente da importância que a educação exerce na sociedade Paulo Freire propõe uma revolução através da educação, ele não só idealiza como põem em pratica novos métodos pedagógicos, métodos que vai contra o ensino tradicional que historicamente privilegiou uma minoria elitizada. Para que possamos compreender e analisar melhor esta nova idéia é preciso conhecer a visão de Freire em relação ao homem, ou seja, a ontologia freiriana.
Paulo Freire coloca o homem como o ser da integração e não da acomodação ou do ajustamento, ele afirma que viver é mais do que estar no mundo, é estar nele e com ele. É emergir do tempo e não viver um hoje constante. Assim “(...) a integração seria a capacidade de ajustar-se a realidade acrescida da de transformá-la a que se junta a de optar, pois na medida em que o homem perde a capacidade de optar e vai sendo submetido a prescrições alheias, as decisões já não são suas, com isso já não se integra, pelo contrario acomoda-se, ajusta-se.(...)”.
Conseqüência disso o anti-diálogo torna-se uma arma fundamental para quem esta no poder ou numa situação privilegiada, isso é fácil de perceber nas variadas camadas sociais, onde uma minoria interpreta e entrega tarefas em forma de receita a ser seguida pela grande maioria. Sem a participação nas decisões, nos problemas, a capacidade de pensar e decidir vai se extinguindo e esta grande maioria acaba se domesticando, se acomodando, se afogando no tempo e vivendo um hoje constante.
Para mudar este quadro, ou seja, para mudar este caráter de sujeito e objeto que se encontrava a sociedade brasileira, de domestificação das massas populares, Freire encontra na Educação uma possível solução. Uma Educação diferente, uma Educação para formar cidadãos críticos, como ele mesmo prossegue “(...) Educação que por ser Educação, haveria de ser corajosa, propondo ao povo a reflexão sobre si mesmo, sobre seu tempo (...) Uma Educação que lhe propiciasse a reflexão sobre seu próprio poder de refletir (...)”.
Esta educação já mais aconteceria com os métodos tradicionais de ensino e aprendizado, não aconteceria por esta não propiciar o dialogo, e sim uma barreira entre professor e aluno, por esta dar explicações e soluções mágicas, ao invés de interpretações profundas dos problemas geradores. Como o próprio Paulo Freire dizia um conhecimento bancário, onde o professor deposita o conhecimento no aluno e no final do mês tira um extrato.
A Educação como pratica da liberdade, seria uma Educação onde o professor atingisse o papel de educador, e os alunos o papel de educando, ou seja, o professor teria que ser capaz de interagir com os alunos, estimulando-os a participação, a argumentação, apresentando-os assim o problema, o mistério, despertando a curiosidade, instrumentando-os para desenvolver cada vez mais sua capacidade de refletir, de raciocinar, de questionar.
Com esta Educação o dialogo estaria presente em sala de aula, estaria presente através da problematização, da contextualização, dos conteúdos a serem ministrados. No ensino das ciências, por exemplo, a problematização, poderia ser a interpretação dos problemas geradores das velhas e novas teorias, seguido da contextualização histórica e do enfoque atual da mesma. Assim antes de apresentarmos uma teoria Física ou Matemática, apresentaríamos o problema, o mistério, de maneira a propiciar a problematização, a interrogação, despertar a curiosidade exercitando assim a capacidade de reflexão e raciocínio por parte dos alunos. Diferente do que presenciamos hoje nas salas de aulas, onde professor transcreve a teoria seguida de exemplos, tornando o aprendizado cada vez mais tecnicista e operacional, atrofiando o pensar e dificultando a busca por nossa própria sabedoria.
Sabemos que para chegar próximo do que seria esta Educação Libertária, pra que estes novos métodos pedagógicos funcionassem realmente, seria preciso por parte dos professores no mínimo condições sustentáveis, qualificação, incentivo e por fim autonomia para decidir e optar nos conteúdos dos planos de ensino. Por parte dos alunos seria oportunidades para todos se dedicarem com iguais condições e privilégios.









Por Agleisson Gonçalves de Freitas.