terça-feira, 9 de novembro de 2010

Meus Parabéns.



Estou aqui brincando com as palavras
pensando no que dizer
expressar o que sinto?
Melhor esquecer

Estou aqui brincando de ser poeta
rimando com a rima
sem querer ser clichê
me arrisco por ti querer

Estou aqui a lançar-me sem medo
tentando surpreender
sem listar suas qualidades
ou votos de felicidades

só deixo transparecer
com muito carinho
meus parabéns a você.

Por Agleisson Gonçalves de Freitas.

sábado, 3 de abril de 2010


Faz um pouco mais de um ano que se tem uma frase que me perturba e causa delírios em minha mente, a frase é esta: “É a vida!”. Um verbo, um artigo, um substantivo, uma exclamação, que somados resultam em um empencílio. Ouço essa frase como resposta em diversas oportunidades, tanto em bons, quanto em relativos maus momentos. E acho que gostaria mais que agulhas e pregos fossem introduzidos entre minhas unhas e minha carne, que ouvir os sons dessas frases penetrando meus ouvidos novamente. O gozado é que eu mesmo, por incontáveis vezes, já recitei esta resposta. Felizes aqueles que entederam a resposta que dei, e diferente de mim, não massacram seus neurônios com angústia de não entender o “por que” desse tipo de resposta. Hoje me parece que pronunciar “É a vida!”, nada mais é, que abreviar uma discução que iria se estender por muito. Em suma, seria uma conclusão precipitada para um grande problema mal resolvido.

E isto pode ser o véu que encobre algo tão precioso, que jamais tentamos chegar até então, justamente por sucumbirmos na derradeira resposta. Sucumbimos por quê? Preguiça? Falta de interesse? Falta de paciência? Talvez! Mas o fato é que quando você se depara recebendo essa resposta, você não se conforma. No mínimo você fica sedento por uma resposta melhor formulada, eu diria até de melhor compreensão, pela busca da resolução de um enigma. Acredito que contestar a conjectura de Goldbach seria mais fácil. Seria mais fácil ganhar a medalha Fields que permitir-me ousar ouvir “É a vida!” pelo restante de minha vida. Ganhar o prêmio Nobel seria mais fácil ainda, Afinal, Barack Obama ganhou fazendo o contrário do que se deveria fazer para ganhar.

Recentemente, em um exemplo bem banal, acordei pela manhã e encontrei meus amigos, que por sinal, era os mentores na noite anterior da minha ressaca naquela manhã. Fiz um breve pouco produtivo comentário: ”- Maldita ressaca!”. E como eu queria que alguém recitasse os fonemas de algo do tipo: “-Por que tu não paras de beber?”, “-Bebeu demais ontem à noite!”, “Ninguém mandou beber!”. No entanto eu ouvi em alto e bom som: “É a vida!”. Aquilo ecoou de tal forma, que foi o que faltou para eu vomitar. Vários chás depois, lá estava eu, surpreendido por essas palavras já afetarem o meu organismo.

Deste momento em diante descobri que não poderia mais confrontar esta questão sozinho. Precisava por demais de ajuda e fui consultar uma psicóloga. Em meu primeiro encontro com a Dra. Biemel, ela me deixou claro os intuitos da psicoterapia e me encheu de esperanças de esperanças por aquilo que eu tanto ansiava naquele momento. Compreender a frase: ”É a vida!”, voltar a ter minhas noites bem dormidas e recuperar minha boa vontade por aquilo que faço. Mas a partir do momento que Dra. Biemel me propôs aceitar e conviver com a expressão “É a vida!”, tive um sutil descontrole. Primeiro destruí a cafeteira que ficava do seu lado, revirei poltronas e almofadas, e por fim queimei um retrato de Freud, que ficava guardado em um armário. Hoje penso que as coisas poderiam ter sido piores. Eu poderia ter posto o consultório inteiro em chamas.

Mas Dra. Biemel era um amor. Não satisfeita com a minha situação, indicou-me a Dra. Krawulski para algumas sessões de hipnoterapia. Dra. Biemel e Dra. Krawulski acreditavam que esse meu mal súbito tinha origem em algum passado meu mal contado. Com toda desconfiança que Dra. Biemel tinha por objetivo final me convencer a aceitar a frase pelo restante de minha simplória vida aqui na Terra, neguei-me enfaticamente. E me vi então, solitário em busca de algo nem sei se existe. Mas que creio com toda a minha fé.

Sim, tive que continuar a minha busca por algum tipo de compreensão solitariamente. Pois pelo contrário, Dra. Biemel e Dra. Krawulski, astutamente me encaminhariam ao manicômio mais próximo. Já podia até enxergá-las com uma camisa de força e baterias para me tratar com choques. Logo tive que me comportar como se a questão não existisse. Comecei a me sentir John Nash, pois estava ignorando algo que corroia a minha mente. E sabe o porquê disso?

Porque “é a vida”!

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh!!!

“I’m free. Free Falling!

Yeah, I’m free. Free Falling!”


Por Tiago Fontanella.



sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Eternamente acompanhado








Escrevo acompanhado e só ao mesmo tempo. Estranho ? Esse alguém que está ao meu lado e me faz companhia , também me proporciona solidão, além de outras coisas. Mas não é assim que começa a história.
Recentemente tive meu último encontro com a Felicidade. Ela surgiu de uma penumbra incrível, de onde eu já não enxergava mais nada. Veio até mim de tal forma que minha longa companhia desapareceu repentinamente. E eu fiquei radiante em um estado sublime. A Felicidade veio em minha direção guiada pela mão da mais Bela Mulher que já vi, e ouso dizer que não verei algo tão belo novamente, pois algo assim é único. A voluposa Felicidade me envolveu, me tomou pelos braços e me drogou. Nunca, jamais me senti assim. E vi a Felicidade nua, dotada de uma silueta inimaginável. Das outras vezes que eu a vi, Ela não estava assim, nenhum um sorriso amigável ela me oferecia antes. Mas mesmo assim eu ainda preferia a companhia Dela. Estava tudo maravilhoso, era divino!
Após três meses aconteceu o que já havia acontecido antes. Porém desta vez eu não esperava que fosse tão intenso. Ela partira! Flutuou e começou a sumir novamente, agora Ela desaparecia entra as nuvens no tardar da noite. E eu disse:
EU – Espere! Aonde você vai?
Ouvi apenas um silêncio e recebi um doce sorriso. E perguntei?
EU – Nós vamos nos ver de novo?
FELICIDADE – Talvez!
E assim entre as nuvens Ela se foi. Tudo bem não seria a primeira vez que Ela faz isso. Mas agora doeu. Eu estava entregue e nunca tinha sido tão verdadeiro com Ela. Desta vez foi diferente e nunca senti esse tipo de dor. Mas tudo bem, sou forte! Caminhei alguns metros e meus joelhos vieram ao chão. Prometi não chorar mais, mas não me contive. Entre lágrimas e soluços, eu vi o meu reflexo nas poças no chão. Me reergui e caminhei mais alguns metros e então ouvi:
- Como foi o reencontro com a Felicidade?
E eu respondi:
EU – Ah! Você de novo! Esperava que tivesse ido embora para nunca mais voltar.
Era a Tristeza que retornara brotando de minha lágrimas.
TRISTEZA – Sentiu a minha falta?
EU – Claro que não! Tu só me faz sofrer!
TRISTEZA – É, é para isso que eu existo. Mas como foi com a Felicidade?
EU – Foi bom enquanto durou. Mas não pensava que Ela iria embora desta vez.
TRISTEZA – Mesmo? Depois de tudo que Ela te fez, tu ainda não esperava?
EU – Não mesmo! Sabe de uma coisa? A Felicidade é muito antipática e cruel, chega a hora que quer, sem avisar. Depois sem mais nem menos vai embora. Depois de te envolver Ela te abandona.
TRISTEZA – Eu nunca a vi. Sabe como é ? Quando ela sai, eu volto. A gente não pode se ver. O que é isso na sua mão?
EU – É meu telefone, espero uma ligação. Eu disse três vezes e foram duas, não três!
TRISTEZA – O que? Não entendi.
EU – Não te interessa!
- Mas você também é muito má, não te suporto mais! Passei muitos anos da minha vida contigo. Aliás, a maioria diga-se de passagem.
TRISTEZA – Você quer que eu vá embora?
EU – Quero!
TRISTEZA – É fácil, você terá que se matar. Porém isso tem um preço. Eu iria acompanhar aqueles que mais te amam, e eu os farei tristes.
EU – Não. Não é uma boa idéia. Não é justo que eu deseje algo assim para alguém. Além do que, eu não faço parte da geração do mal do século.
TRISTEZA – Concordo, não é o teu tipo. A propósito, você chorou?
EU – Claro que não! Prometi nunca mais chorar.
TRISTEZA – Ótimo. E de onde eu brotei?
EU – Não chorei. Amo mais a mim do que a Felicidade.
TRISTEZA – Bom. Se teu amor próprio é maior, tu pode viver sozinho.
EU – Calma! Também não quero virar um Dom Casmurro.
TRISTEZA – Por falar em Dom Casmurro. A Capitulina traiu, ou não o Bentinho?
EU – Já cansei de te falar que sim.
TRISTEZA – Mas tu não me convence.
EU – Isso não vem ao caso agora. Droga! Tenho fotos no celular.
TRISTEZA – E?
EU – Ainda não acabou!
TRISTEZA – O que não acabou? Não te entendo.
EU – Não interessa. Sabe Tristeza? Tu sempre causa muita dor e sofrimento.
TRISTEZA – O que são essas marcas na sua mão direita?
EU – Não são nada perto das marcas dentro do meu peito. Essas sim doem demais!
TRISTEZA – Você vai chorar?
EU – Não.
TRISTEZA – O que é isso no seu rosto?
EU - ...
TRISTEZA – É uma lágrima?
EU – Só não sei quem é pior. Você ou a Felicidade.
TRISTEZA - ...
EU – Está vendo aquilo lá?
TRISTEZA – Sim, o banco da rodoviário.
EU – Aham! Eu vou lá. Vou dormir pois a Felicidade foi um sonho muito vivo e intenso, tão rápido quanto uma noite de sono. Talvez Ela volte.
TRISTEZA – Meu caro! Depois de tudo que você falou da Felicidade. Você ainda crê que eu sou pior? Você está apaixonado por Ela, e a paixão é o outro extremo da razão. Extremo como eu e Ela somos. Amanhã você vai acordar e quem estará lhe abraçando serei eu e não Ela. Dificilmente Ela voltará. E se voltar, você vai querer tudo isso de novo? Quem causa o verdadeiro sofrimento? Eu ou Ela? Foi ela que me criou só por pura vaidade de ser buscada por todos. Se não fosse Ela não haveria sofrimento. Sou sua melhor amiga e sempre estarei do seu lado.


Por Tiago Fontanella.

domingo, 10 de agosto de 2008

És tu



Silêncio...Ela...
Sua voz inebriante cala,
permite escutar.
Ao vê-la, úmidos...
Estirar-me, exacerbar a vontade...

Alegra-me em saber...Irradia-me...
Um coração dilacerado,
uma esperança desperdiçada.
Uma Fênix.
Sacia-me a sede que
por ti nasceras.

Beleza que cega,
não ligo.
Ainda resta imaginar,
não cabes.
Desespero.
Sinto a leveza.

Alivia-me, conforta-me.
És tu, com teu toque.
És tu com teu tempo.
Comporta-me, disciplina-me.
Sentir navega a razão.
És tu.
Arte desfigurada,
palavras.
És tu.



Por Deividi Ricardo Pansera



sexta-feira, 4 de julho de 2008

A Liberalidade como virtude.





A partir do livro II de Ética a Nicômaco, Aristóteles enfatiza sua investigação sobre as virtudes. Dando continuidade ao tema principal que é a felicidade (eudaimonia), as virtudes são essenciais para atingi-la, tendo em vista que é caminho para alcançá-la.

Segundo Aristóteles, virtude é uma prática, não a temos por natureza e não haveria um ensino suficiente e eficaz para garantir a ação virtuosa. É a forma mais plena da ciência da moral e a prática da virtude é uma disposição de caráter. Virtude é um hábito, sendo construída pela continuidade da relação potência e ato. Quando nascemos, possuímos somente a potencialidade, e mais tarde realizamos o ato.

Definindo a virtude mais precisamente, ela é uma faculdade prática, não depende do conhecimento teórico, pois é construída pelo hábito mediante a potência. A virtude aristotélica é a mediania entre dois extremos, estes últimos chamados de “vícios”. Vícios estes que são o excesso e a deficiência de uma mediania. A virtude é algo difícil de ser atingido, pois citando Aristóteles: “É possível errar de muitas maneiras, ao passo que só é possível acertar de uma maneira...”.

Um importante exemplo de virtude é a “liberalidade”. Um homem que pratica a liberalidade é louvado, pois é capaz de dar e obter riquezas. Os vícios da liberalidade são a prodigalidade e a avareza. Pródigo é aquele que possui um único defeito, sendo este, o de esbanjar suas posses. O homem liberal é aquele que dá para as pessoas certas e não obtém riquezas das fontes erradas. E este se destaca por acima de tudo dar mais que receber. Pois é mais nobre fazer o bem, do que recebê-lo. Como o homem virtuoso busca o ato nobre, ele saberá o determinado momento e as determinadas condições para doar às pessoas certas. Não obstante, aquele que dá as pessoas erradas e sofre ao realizar as oferendas, não é liberal, e deve receber outro nome.

Aquele que exerce a atividade de ser liberal não busca dinheiro, nas fontes erradas por já possuir suas posses. Assim, busca a riqueza que doará nas suas posses. Este homem, que é liberal, tem a característica de ficar com muito pouco para si, pois é normal de sua parte não atentar-se para si.

Essa virtude é de certa forma medida perante as posses do homem, tendo em vista que alguém que dá coisas em menos quantidade é tão virtuoso quanto aquele que dá coisas em maior quantidade. Não é fácil para um homem liberal torna-se ou manter rico, pois está muito reclinado a dar seus bens, e não mantê-los para si.

Os vícios da liberalidade, no caso primeiro a prodigalidade é o excesso no dar e no não obter, e a avareza é a deficiência em relação ao dar e o excesso em obter. Porém, o homem que é pródigo é mais bem visto que o homem que é avarento. Afinal, suas características estão próximas de um homem liberal. Sobretudo o pródigo que adquire seus bens das fontes erradas é avaro.

Mas como o pródigo está mais perto da liberalidade que o avaro, ele tem cura. Já o avaro é incurável.

O ato de oferecer seus bens para uma pessoa necessitada é um ato voluntário quando a pessoa que doa, faz isso sem dor e arrependimento por si só. Não sofre interferências de outros na escolha, e escolhe porque tem a convicção de que é correto. E para realizar um ato involuntário um homem liberal deve agir por ignorância e arrepender-se depois. Um exemplo, talvez, poderia ser quando um homem liberal age achando que doou seus bens para uma pessoa necessitada, mas por ignorância não sabia que a pessoa era não era necessitada. E posteriormente arrepende-se.

A deliberação acontece nos meios e nunca nos fins, ocorre no que não é exato, portanto, é obscuro. Seu resultado é indeterminado.

Toda e qualquer ação se define a partir da escolha deliberada e esta envolve um princípio racional. Se toda escolha é uma desejo deliberado de coisas que estão ao nosso alcance, logo, as virtudes dependem do agente. Toda virtude e todos os vícios dependem da escolha deliberada que o homem faz.



Baseado no livro Ética a Nicômaco de Aristóteles



Por Tiago Fontanella



terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Educação Libertária










Diferente de qualquer outra entidade publica ou privada, a escola forma pessoas, futuros cidadãos que ocuparão um papel fundamental no processo de continuação ou transformação de uma sociedade. Ciente da importância que a educação exerce na sociedade Paulo Freire propõe uma revolução através da educação, ele não só idealiza como põem em pratica novos métodos pedagógicos, métodos que vai contra o ensino tradicional que historicamente privilegiou uma minoria elitizada. Para que possamos compreender e analisar melhor esta nova idéia é preciso conhecer a visão de Freire em relação ao homem, ou seja, a ontologia freiriana.
Paulo Freire coloca o homem como o ser da integração e não da acomodação ou do ajustamento, ele afirma que viver é mais do que estar no mundo, é estar nele e com ele. É emergir do tempo e não viver um hoje constante. Assim “(...) a integração seria a capacidade de ajustar-se a realidade acrescida da de transformá-la a que se junta a de optar, pois na medida em que o homem perde a capacidade de optar e vai sendo submetido a prescrições alheias, as decisões já não são suas, com isso já não se integra, pelo contrario acomoda-se, ajusta-se.(...)”.
Conseqüência disso o anti-diálogo torna-se uma arma fundamental para quem esta no poder ou numa situação privilegiada, isso é fácil de perceber nas variadas camadas sociais, onde uma minoria interpreta e entrega tarefas em forma de receita a ser seguida pela grande maioria. Sem a participação nas decisões, nos problemas, a capacidade de pensar e decidir vai se extinguindo e esta grande maioria acaba se domesticando, se acomodando, se afogando no tempo e vivendo um hoje constante.
Para mudar este quadro, ou seja, para mudar este caráter de sujeito e objeto que se encontrava a sociedade brasileira, de domestificação das massas populares, Freire encontra na Educação uma possível solução. Uma Educação diferente, uma Educação para formar cidadãos críticos, como ele mesmo prossegue “(...) Educação que por ser Educação, haveria de ser corajosa, propondo ao povo a reflexão sobre si mesmo, sobre seu tempo (...) Uma Educação que lhe propiciasse a reflexão sobre seu próprio poder de refletir (...)”.
Esta educação já mais aconteceria com os métodos tradicionais de ensino e aprendizado, não aconteceria por esta não propiciar o dialogo, e sim uma barreira entre professor e aluno, por esta dar explicações e soluções mágicas, ao invés de interpretações profundas dos problemas geradores. Como o próprio Paulo Freire dizia um conhecimento bancário, onde o professor deposita o conhecimento no aluno e no final do mês tira um extrato.
A Educação como pratica da liberdade, seria uma Educação onde o professor atingisse o papel de educador, e os alunos o papel de educando, ou seja, o professor teria que ser capaz de interagir com os alunos, estimulando-os a participação, a argumentação, apresentando-os assim o problema, o mistério, despertando a curiosidade, instrumentando-os para desenvolver cada vez mais sua capacidade de refletir, de raciocinar, de questionar.
Com esta Educação o dialogo estaria presente em sala de aula, estaria presente através da problematização, da contextualização, dos conteúdos a serem ministrados. No ensino das ciências, por exemplo, a problematização, poderia ser a interpretação dos problemas geradores das velhas e novas teorias, seguido da contextualização histórica e do enfoque atual da mesma. Assim antes de apresentarmos uma teoria Física ou Matemática, apresentaríamos o problema, o mistério, de maneira a propiciar a problematização, a interrogação, despertar a curiosidade exercitando assim a capacidade de reflexão e raciocínio por parte dos alunos. Diferente do que presenciamos hoje nas salas de aulas, onde professor transcreve a teoria seguida de exemplos, tornando o aprendizado cada vez mais tecnicista e operacional, atrofiando o pensar e dificultando a busca por nossa própria sabedoria.
Sabemos que para chegar próximo do que seria esta Educação Libertária, pra que estes novos métodos pedagógicos funcionassem realmente, seria preciso por parte dos professores no mínimo condições sustentáveis, qualificação, incentivo e por fim autonomia para decidir e optar nos conteúdos dos planos de ensino. Por parte dos alunos seria oportunidades para todos se dedicarem com iguais condições e privilégios.









Por Agleisson Gonçalves de Freitas.





segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O que entendemos por ciência?







Desafie seu senso comum e arrisque uma resposta, pois se você ainda não fez esta pergunta, pode se deparar com ela no futuro, afinal neste mar de tecnologia, com esta quantidade de informações, a ciência invade nosso cotidiano com descobertas e estudos em áreas bem distintas do conhecimento humano.


1 - Introdução
Para entender a ciência além do significado da palavra é preciso uma análise histórica, um mergulho desde a Filosofia Grega até a revolução científica iniciada na Itália. Só assim poderemos esboçar uma resposta mais abrangente, que não se limite apenas no método sistemático adotado atualmente pela mesma. Seguiremos com uma breve historia da ciência até chegarmos aos dias de hoje, depois serão propostas algumas respostas e conclusões.


2 – Uma breve história da Ciência
Na antiguidade até maior parte da idade média ciência e filosofia eram uma só, considerado como o primeiro filosofo cientista, Tales de Mileto, apesar de sua crença nos deuses, buscava na própria natureza a explicação dos fenômenos observados, não recorrendo aos deuses como de costume na época, posteriormente destacam-se Platão e Aristóteles que deixaram um belo legado para a ciência e filosofia ocidental.
Durante a idade média, com o forte predomínio do cristianismo, a ciência se confundia com a teologia, o estudo da bíblia e a fé cristã era o caminho a ser seguido por todos, só no renascimento foi que o homem passou a enxergar mais as idéias e não apenas a crença e aos dogmas bíblicos, assim renascia os ideais da cultura grega.
Com a atenção voltada ao pensamento grego, começam as grandes descobertas. Nicolau Copérnico com seus estudos em Astronomia propôs um modelo heliocêntrico que colocava o sol como o centro do universo, uma teoria que ia contra a doutrina da igreja e a filosofia aristotélica que acreditavam no modelo geocêntrico, sendo a terra o centro do universo, a partir daí a relação entre ciência e religião ficaria definitivamente estremecida, e a Igreja Católica passaria desde então a condenar e oprimir vários pensadores da época.
O físico, matemático e astrônomo Galileu Galilei é um marco na história da ciência, considerado o pai da ciência moderna, ele não só adotou o modelo heliocêntrico de Copérnico, como também derrubou os argumentos de Aristóteles sobre o movimento dos corpos em queda livre, com seu lendário experimento na torre de Pisa.
Galileu trouxe a experiência para o cotidiano da Física e mostrou que os fenômenos naturais poderiam ser descritos pela linguagem matemática, era o início do que chamamos hoje de método científico. Com isso a ciência passava a ter autonomia, deixando a teologia de lado e dividindo a filosofia.
A Física ressurge como ciência e se consagra com os sucessos da teoria de Isaac Newton que compreendia e ainda fazia previsões sobre o movimento dos corpos. Com toda esta afirmação e com a evolução da tecnologia o “antídoto” adotado pela Física passava a ser aplicado em várias áreas de estudos, como na biologia, na química e mais tarde na sociologia. Aos poucos a ciência iria ganhando status na sociedade e passaria a ser uma base sólida para a compreensão de vários fenômenos.


3 - A Ciência Contemporânea
“Cientistas enviam robô a marte”, “comprovado cientificamente (...)”, “cientistas descobrem que as células tronco (...)”, estas notícias retratam bem a ciência que convivemos hoje. Com um ar de supremacia, conhecimento seguro e intocável, a ciência esbanja todo seu poder, um reflexo de suas conquistas nos últimos anos que transformariam a sociedade como um todo. Política e ciência nunca estiveram tão relacionadas, um cartão de visitas para uma nação poderosa e desenvolvida é sua inovação tecnológica, o seu progresso científico. A palavra ciência é empregada nos mais variados estudos, como se fosse uma garantia para a aceitação de um conhecimento verdadeiro.
É neste novo contexto de sociedade que a ciência é definida, mas até quando vamos ter esta precisão para explicar certo acontecimento ou determinado fenômeno? Até quando o homem vai dizer que o universo é infinito? Até quando essa ciência vai ser sinônimo de desenvolvimento e evolução?


4 - Conclusões
É comum encontrarmos significados para a ciência do tipo: saber que se adquire pela experiência, observação e etc. Mas vimos que a ciência não se resume a isto, ou seja, não podemos definir ciência apenas pelo seu método adotado para adquirir certo conhecimento, pois analisamos na historia as diferentes etapas da ciência todas elas com significados e nomes distintos, e agora presenciamos apenas mais uma etapa e não sabemos como será a ciência daqui a 5 séculos. Em contrapartida podemos entender a ciência como parte de um processo intimamente ligado a cultura, um processo que se transforma na medida em que o homem enxerga e encara o mundo de maneiras diferentes. Portanto a ciência pode ter um significado hoje, e quem sabe outro amanhã, pois uma coisa é certa, a ciência esta enraizada na curiosidade do homem que nem sempre busca uma resposta, mas pelo menos uma melhor compreensão de si mesmo e do mundo que o cerca. Sendo assim, não sabemos o que a natureza ainda pode nos reservar.


Por Agleisson Gonçalves de Freitas.