As calçadas provavelmente são os lugares mais públicos que existam, você sempre passará por uma para onde quer que queira ir. È um lugar de aceitação, onde o hippie, o bancário, o policial, o bandido, todos se encontrarão. Mesmo quando não se quer cruzar com essas pessoas, se atravessa a rua, e as encontra na outra calçada.Ninguém sabe quando vai morrer, quando terá de ir ao hospital, mas no meio de tudo isso sabe que terá uma calçada. Uma calçada é tão importante, tão representativa, que em Hollywood as celebridades possuem seus nomes nelas. E em Los Angeles mesmo existe uma outra em frente ao teatro Chinês que se deixam marcadas as mãos e pés. Até mesmo o Brasil já tem a sua calçada da fama em Gramado no Rio Grande do Sul.
Hoje seu nome na calçada é sinal de status, somente não para os auto-famosos que escrevem seus respectivos nomes no cimento fresco. Estes seriam famosos sim, os famosos pobres de espírito.
Calçadas expressam a cultura de uma época através de suas formas. Elas podem ser de um simples cimento, de refinadas pedras, de diversas cores, de caretas lajotas, de ousados azulejos. Lisboa produziu uma legítima e intensa exploração em nosso país, porém não negou um intercâmbio de troca de cultura, troca de artes. E uma dessas artes se manifestou na decoração feita nas calçadas, na construção de verdadeiros mosaicos nessas vias públicas. Embelezando-as, e dando asas para a imaginação dos criadores das inúmeras figuras representadas nelas.
Os porcos imundos que as sujam com as fezes de seus animais e de suas cabeças, com as chêpas de seus cigarros, com papéis de balas, deveriam ser presos. Pois isto é cuspir em seu chão, e isso é cuspir na própria face. Moribundos de espíritos, estes deveriam praticar serviços sociais e construir mais calçadas.
O fato é que não se pode destruir a estética genuína de algo que vale mais que a vida dos criminosos que as sujam, que as impregnam com sua robusta ignorância.
Atualmente foi-se o tempo que ao final da tarde as pessoas sentavam em frente de suas casas para admirar os movimento e rever amigos. Tempos que se via o desfile da moda em calçadas e não em passarelas, tempo em que se viam os carros do ano nas ruas na frente de casa e não em feiras. E assim se viam as modernidades e por fim, o passar do tempo.

As calçadas perderam o seu charme, mas não por isso sua importância. Nós transitamos nelas, e consequentemente não fazemos apenas isso. No decorrer do percurso transitamos também nos complexos caminhos de nossa mente, tiramos conclusões para feitos que iremos realizar durante o dia, durante a semana, o mês, o ano, ou talvez durante o resto da vida. Praticamos atividades físicas, um tradicional cooper por exemplo, namoramos e até almoçamos nas mesas dos restaurantes que invadem as calçadas.
Neste mundo contemporâneo as calçadas adquiriam nova roupagem, hoje possuem na sua extensão guichês para comprar o cartão de estacionamento do carro, sinaleiras para os pedestres atravessarem a rua, placas de orientação, telefones públicos, lixeiras e adaptações para deficientes.
Volta e interrompidas por uma escadaria, calçadas continuam seu percurso até desembocar em outra, e em outra, e em outra.
Pulsando como veias e artérias, transportando pessoas com suas manias e intolerâncias, que podemos julgar como vírus sem anticorpos, as calçadas alimentam residências, lojas entre, nos levando para viver o cotidiano.
Por Tiago Fontanella.

2 comentários:
Maneroo o Blog
Muitoo Interativoo
http://almeida155.blogspot.com/
è verdade,calçadas nós cercam diariamente,dificil mesmo é textos tão bons como este,falando sobre,nada mais,nada menos,que calçadas,muito bom !
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