
Felizes são aqueles que acordam, tomam seu café e preparam-se para sair. Primeiro vestem seus agasalhos da marca patrocinadora, depois o tênis que usarão no trajeto até o complexo esportivo, e finalizando carregam a mochila com seus equipamentos. Chegando ao complexo cumprimentam os seguranças, no caminho até os vestiários saúdam as faxineiras e os demais empregados. Em seguida aprontam-se em seus vestiários com banheiras térmicas, armários, camas, ar condicionado e o que mais lhes forem preciso. Por fim, entram em seus respectivos terrenos de treinos, seja uma quadra, uma pista ou um salão, treinam por horas e terminam o seu dever. Olham-se com orgulho no espelho e dizem: “Eu sou um atleta!”
Realmente é algo bonito, porém é uma lástima que aqui no Brasil não seja assim também.
Realmente é algo bonito, porém é uma lástima que aqui no Brasil não seja assim também.
Atualmente vemos o espírito esportivo em evidência, todos torcendo pelo país como nunca se viu antes. Em um evento que põe em xeque toda a qualidade da organização nacional, obrigando os órgãos públicos a realizar tarefas que talvez nunca realizou; os corações batem como no beijo mais apaixonado e feliz de um doce casal.
E assim o Pan-americano mascara grande parte da realidade do atleta nacional, a dura, cruel e implacável realidade daquele que madruga todas as manhãs e mal toma café o da manhã e sai. Corre quilômetros e quilômetros nas estradas de barro do sertão, do cerrado ou dos campos, como feras indomáveis correm por seus anseios de vida. Procurando a glórias as medalhas e fazendo valer seu suor, estes atletas travam verdadeiras batalhas entre o provável destino de nem chegar a competir, e o destino que constroem como um castelo de cartas de baralho, o destino dos vitoriosos bem-aventurados.
Quer queiram ou não, este evento esportivo deixou cicatrizes na imagem do Brasil. Jamais esquecerei das deploráveis e profanas vaias em hinos americanos, em hinos cubanos e em suados triunfos de atletas de outras nacionalidades. Aquele esporte inventado pela platéia de judô também colaborou por isto, esporte que pessoalmente denominei de arremesso de bombas caseiras nos juízes. Evidentemente ninguém viu as bombas, apenas papéis e outras coisas mais, muito provavelmente, porque o público era revistado antes de entrar. Caso ao contrário...
Humor negro a parte, estas hediondas ocorrências serão esquecidas pelo mundo, pois isto já faz parte do comportamento brasileiro, um vexame a mais ou a menos é típico comportamento de subdesenvolvimento, de país de terceiro mundo. Mas quer saber? No fundo, isto soou como uma nota dissonante.
Mas o filé mignon ficou para nós, a emoção de ser o terceiro melhor das Américas é algo que não tem preço. O que fica para o afável sofrido povo das terras tupiniquins é a superação dos atletas, as lágrimas de heróis nacionais não por acaso, o brilho as medalhas de ouro, prata e bronze tão almejadas e não menos desejadas por nós meros torcedores.
Quem venha agora à copa de 2014, que o templo sagrado do futebol do alvinegro de Santa Catarina sedie algum jogo. Mas desta vez sem vaias, sem demérito. Afinal errar é humano, insistir no erro é burrice.
Viva os esportistas brasileiros. Que não possuem condições para treinar, não tem incentivo do governo, que vivem uma sociedade esmagada pela intolerância, que somente reconhece méritos após a subida em um pódio, e raramente lembra depois. Viva eles sem patrocínio, sem medo, sem preguiça, sem desânimos, e dotados de muita gana.
Honra ao Mérito!!!
Honra ao Mérito!!!
Por Tiago Fontanella
Um comentário:
veja bem há vaias merecedoras de criticas q aconteceram neste pan, mas também há vaias que fazem parte do espetáculo, por exemplo, vaiar no hino nacional é desnecessário, agora vaiar um gol argentino, ou um saque cubano é natural... temos q parar de importar cultura, nós brasileiros temos este temperamento, naum vamos para um estadio pra ficar sentado e levantar apenas pra bater palmas...
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