sexta-feira, 4 de julho de 2008

A Liberalidade como virtude.





A partir do livro II de Ética a Nicômaco, Aristóteles enfatiza sua investigação sobre as virtudes. Dando continuidade ao tema principal que é a felicidade (eudaimonia), as virtudes são essenciais para atingi-la, tendo em vista que é caminho para alcançá-la.

Segundo Aristóteles, virtude é uma prática, não a temos por natureza e não haveria um ensino suficiente e eficaz para garantir a ação virtuosa. É a forma mais plena da ciência da moral e a prática da virtude é uma disposição de caráter. Virtude é um hábito, sendo construída pela continuidade da relação potência e ato. Quando nascemos, possuímos somente a potencialidade, e mais tarde realizamos o ato.

Definindo a virtude mais precisamente, ela é uma faculdade prática, não depende do conhecimento teórico, pois é construída pelo hábito mediante a potência. A virtude aristotélica é a mediania entre dois extremos, estes últimos chamados de “vícios”. Vícios estes que são o excesso e a deficiência de uma mediania. A virtude é algo difícil de ser atingido, pois citando Aristóteles: “É possível errar de muitas maneiras, ao passo que só é possível acertar de uma maneira...”.

Um importante exemplo de virtude é a “liberalidade”. Um homem que pratica a liberalidade é louvado, pois é capaz de dar e obter riquezas. Os vícios da liberalidade são a prodigalidade e a avareza. Pródigo é aquele que possui um único defeito, sendo este, o de esbanjar suas posses. O homem liberal é aquele que dá para as pessoas certas e não obtém riquezas das fontes erradas. E este se destaca por acima de tudo dar mais que receber. Pois é mais nobre fazer o bem, do que recebê-lo. Como o homem virtuoso busca o ato nobre, ele saberá o determinado momento e as determinadas condições para doar às pessoas certas. Não obstante, aquele que dá as pessoas erradas e sofre ao realizar as oferendas, não é liberal, e deve receber outro nome.

Aquele que exerce a atividade de ser liberal não busca dinheiro, nas fontes erradas por já possuir suas posses. Assim, busca a riqueza que doará nas suas posses. Este homem, que é liberal, tem a característica de ficar com muito pouco para si, pois é normal de sua parte não atentar-se para si.

Essa virtude é de certa forma medida perante as posses do homem, tendo em vista que alguém que dá coisas em menos quantidade é tão virtuoso quanto aquele que dá coisas em maior quantidade. Não é fácil para um homem liberal torna-se ou manter rico, pois está muito reclinado a dar seus bens, e não mantê-los para si.

Os vícios da liberalidade, no caso primeiro a prodigalidade é o excesso no dar e no não obter, e a avareza é a deficiência em relação ao dar e o excesso em obter. Porém, o homem que é pródigo é mais bem visto que o homem que é avarento. Afinal, suas características estão próximas de um homem liberal. Sobretudo o pródigo que adquire seus bens das fontes erradas é avaro.

Mas como o pródigo está mais perto da liberalidade que o avaro, ele tem cura. Já o avaro é incurável.

O ato de oferecer seus bens para uma pessoa necessitada é um ato voluntário quando a pessoa que doa, faz isso sem dor e arrependimento por si só. Não sofre interferências de outros na escolha, e escolhe porque tem a convicção de que é correto. E para realizar um ato involuntário um homem liberal deve agir por ignorância e arrepender-se depois. Um exemplo, talvez, poderia ser quando um homem liberal age achando que doou seus bens para uma pessoa necessitada, mas por ignorância não sabia que a pessoa era não era necessitada. E posteriormente arrepende-se.

A deliberação acontece nos meios e nunca nos fins, ocorre no que não é exato, portanto, é obscuro. Seu resultado é indeterminado.

Toda e qualquer ação se define a partir da escolha deliberada e esta envolve um princípio racional. Se toda escolha é uma desejo deliberado de coisas que estão ao nosso alcance, logo, as virtudes dependem do agente. Toda virtude e todos os vícios dependem da escolha deliberada que o homem faz.



Baseado no livro Ética a Nicômaco de Aristóteles



Por Tiago Fontanella



Um comentário:

Anônimo disse...

Em primeiro lugar, tu escreve heim? ARISTÓTELES!

Vejamos, virtuoso será aquele que habitualmente praticaria boas ações para si ou para os outros?! Não podemos confundir virtuoso como somente uma pessoa caridosa, por exemplo, caridade é uma virtude, mas uma virtude engloba mais de uma ação!
Na primeira hipótese o benefício próprio não prejudicaria as outras pessoas, pois ela consegue realizar ações sem ofuscar as pessoas...simplesmente, demonstra ser o que realmente é!
E na segunda, ajuda os outros não por obrigação e não por habitualidade pois uma pessoa vistuosa em primeira lugar nunca vai se considerar "virtuosa" pq pra ela simplesmente tudo o que ela faz é absolutamente normal.
Enfim, existem inúmeras hipóteses para chegarmos a uma conclusão mas como como hipóteses,segundo alguém , "hipótese é uma coisa que não é, mas agente faz de conta que é, pra ver como seria se ela fosse".

Nosssa, será que eu falo?! bjo